quinta-feira, 10 de março de 2011

Terças e sábados

Eu preciso ter muito cuidado com o que escrevo aqui. E espero que as pessoas entendam que é pessoal. E que eu não sei escrever nada nesse blog que não seja pessoal ou autobiográfico ou algo que o valha.

O importante é dizer que existe alguém com alma aqui. Alguém que faz coisas erradas, dá mancadas, magoa pessoas. Alguém que tem celulite e nem sempre combina as roupas certas. Pão-dura, inflamável, impulsiva, ciumenta. Uma pessoa que não entende muito bem as fraquezas dos outros e que, infelizmente, não consegue enxergar as suas próprias.

Uma pessoa tão indecisa que comprou dois vestidos de noiva. E tão decidida que avisou a todos os convidados que o casamento seria em uma quarta, mesmo sem conferir com o cartório. (Que acabou de ressaltar que, casamentos, só às terças e sábados)

quarta-feira, 2 de março de 2011

esperando o inverno

Às vezes eu esqueço o porquê de ter gostado tanto de São Paulo quando me mudei pra cá. Mas eu só esqueço no verão, porque quando chega o inverno eu me lembro.

Foi assim: no meu primeiro inverno, eu estava apaixonada e não tinha a menor ideia do que era um inverno. Eu tinha pouco dinheiro e nenhuma blusa de frio. Comia miojo quando chegava em casa ou então ia para algum bar fazer o milagre da multiplicação das cervejas. Era bom e eu tinha poucas preocupações porque tinha poucas coisas.

Mal posso esperar o inverno de 2011, se é que ele vai vir. É no inverno que São Paulo se revela mais. As pessoas ficam mais sozinhas, tudo fica mais cinza e triste, as ruas ficam mais vazias, as imagens mais nítidas. Há sopa em todos os cantos. Há café e vinho, há toda uma cultura do recolhimento.

Eu odeio o frio. Odeio inverno. Mas gosto do inverno aqui porque ele exacerba tudo o que São Paulo tem de autêntico e de seu. E eu sempre, sempre, tenho a mesma sensação do primeiro inverno: pobre, apaixonado e milagreiro.


* é no inverno que as mulheres ficam mais elegantes, já dizia um velho não tão sábio.

terça-feira, 1 de março de 2011

2011 e o Imposto de Renda

Dessa vez ela chegou bem rápido. Nem sei se vai demorar pra passar, porque afinal de contas as coisas em volta não ajudam.

Eu já sabia que o ano ia ser uma bosta mas não sabia que ele ia se revelar ENQUANTO ANO BOSTA tão rápido. Odeio esses anos ímpares. Pra mim, são anos em que se trabalha muito e se vê muito pouco do resultado do trabalho. Aí os anos pares são aquela beleza, né. Só recompensa. Pelo menos pra mim. Eu criei aquele ranço dos anos ímpares porque sei que são anos difíceis, em que eu vou reclamar, sofrer, cansar. No final passou o ano e eu lá acariciando a depressão. Tô super acariciando. Pra ter uma ideia, eu quero ir pra casa fazer o meu imposto de renda. Ano passado eu queria ir pro bar. Tenho convite pro bar e me obrigo a ir, e sei que no final vai ser bom, mas né. O imposto de renda me esperando em casa. E eu ansiosa pra saber se, afinal, tem ou não tem restituição.

* Caralho. Eu tô na semana do meu aniversário, é uma semana que eu adoro. E eu tô aqui morrendo, me afogando no vômito da autocomiseração. Que ridículo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

segunda-feira

Depois de três semanas sem um final de semana livre, um domingo que seja, com plantão marcado para o próximo (que é carnaval e meu aniversário também), me bateu um enorme desânimo da vida. De lutar sem saber o motivo.

Eu sei que vai passar e depois de algumas noites bem dormidas eu vou continuar lutando como sempre. Mas esse dia de hoje, cinza, sem dinheiro, cheia de coisas pra fazer, com poucas perspectivas de que 2011 seja um ano bom, é de desanimar qualquer usuário de Prozac.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

e antes que eu me esqueça

eu queria falar sobre isso
sobre como o mundo ficou chato de repente. e as pessoas se cobrando tanto por serem felizes.
só que ser feliz (segundo essa concepção de mundo) envolve:

- ser magro (não comer)
- ser trabalhador(não se divertir)
- ser eficiente, fiel e leal (não se permitir erros)
- ser generoso e sustentável (não ser egoísta)
- ser saudável e sóbrio (e não ter o prazer do pé na jaca)

e por aí vai a lista que nunca acaba
e se ser feliz envolve negar coisas que nos tornam mais felizes...qual o sentido?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vislumbrando uma carreira post mortem

Tem uma época do mês em que eu fico maluca, né. Pirada mesmo.
É bem nessa época que eu escrevo melhor, confirmando a teoria de que os loucos são geniais. Tenho as ideias mais incríveis, mesmo sem ter pra quem mostrar.

Há quase um ano, quando passei um mês fora e fiquei maluca praticamente os 30 dias corridos, eu comecei a escrever um livro. A personagem principal era um alter-ego que me fez bem demais porque ela deu vida à minha imaginação e às coisas que eu não fiz porque, vejam bem, limites físicos e morais. Imagine que sou uma pessoa com limites morais bastante liberais. Limites esses que a minha personagem ignorou completamente e foi BASTANTE além.

Foram vários capítulos com histórias que podem ser bem melhoradas. Mas muito legais. E todo mês, bem na época dos surtos, sinto vontade de escrever sobre ela, só pra poder liberar um pouco o que a minha limitação moral não me permite. Vai ser a minha obra-prima só publicada depois que eu morrer, hohoho.

E olha que eu nem vou ter vergonha de ter escrito tanta putaria.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

on fire

Irritação é o meu nome do meio, então prepare-se.

1. estou irritada com erros de revisão. Erros de ortografia me deixam louca. Erros de revisão igualmente. Eu estou com ganas de arrancar o aviso que a síndica semi-analfabeta colocou no elevador e torturá-la até ela confessar que não sabe usar vírgulas. SÍNDICO TEM QUE SABER ESCREVER, GENTE, É TIPO SEGUNDO GRAU COMPLETO.

2. não aguento mais esse lugar que chove. Ontem eu saí da yoga e estava super tranquila, caminhei calmamente pela chuva até o longínquo ponto de ônibus, as pessoas me olhavam como se eu fosse um fantasma lambido (eu estava de camiseta branca, viva o top que me salvou). Aí chego em casa linda, troco de roupa, vou no supermercado e adivinha? UM CAMINHÃO PASSA NA POÇA E ME ENCHARCA, BEIJOS.

3. eu quero ter o direito de estar mal-humorada. Quero ter o direito de ter as minhas piadas devidamente entendidas. Quero ter o direito de reclamar que as coisas estão mais caras que nunca. E quero ter o direito de reclamar e continuar sendo uma pessoa feliz. Acontece a cada 457 anos.

4. eu ia escrever uma quarta coisa mas tenho medo que os envolvidos leiam. Sim, eu tenho mania de perseguição.