quinta-feira, 28 de abril de 2011

resolução de pós-páscoa

(já que o ano novo já passou faz tempo)

Me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros, me preocupar menos com os problemas dos outros.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A cachorrização das pessoas

Que o mundo se rendeu aos animais já é fato, né. Afinal de contas, é muito melhor se relacionar com alguém que não fala, não te decepciona, abana o rabo pra você quando te vê e faz com que você se sinta importante.

Aí, enquanto humanizamos cachorros e gatos, com coisas bizarras como salão de beleza, padaria e casamento , cachorrizamos pessoas.

Não sou idiota a ponto de fazer sermão pra isso, principalmente porque adoro bichos e gosto cada vez menos de pessoas, mas que é um fenômeno, é. Inegável.

Vamos ilustrar:

São Paulo, segunda-feira de manhã.
Lá estou eu, no supermercado, fazendo compras. Uma senhora na fila atrás de mim aponta pra um produto de limpeza que eu comprei e me pergunta: "onde você achou isso?". Acostumada que estou a ser ignorada pelas pessoas nesse ambientes públicos (e rapidinho aprendi a ignorar também), achei aquilo estranhíssimo. Cheguei a considerar que a véia tava doida. Mas respondi (meio de qualquer jeito, assumo): ah, tava lá, na prateleira de produtos de limpeza.
Aí a pessoa em questão, no caso eu, saio do supermercado, vejo um gatinho lindo miando, faço aquela graça e quase levo pra casa, dou um banho e faço trancinha no bigode.

Ou seja. Eu achei estranho uma pessoa se direcionar a mim no supermercado pra conversar. Como se fosse um cachorro falando comigo. E, no fundo, estamos acostumados a ignorar estranhos, como se cachorros fossem. Isso vai na direção contrária à adoração obsessiva que estamos desenvolvendo pelos bichos.

É um assunto para se pensar, acho.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

incoerência, trabalhamos

Toda vez que eu vou para algum lugar, seja de férias, seja um breve feriado, algum lugar onde eu ainda não morei e não enchi o saco, eu fico querendo me mudar pra lá.

Foi assim com todos os lugares que eu já conheci e minimamente gostei. A lista é longa: vai de Ibitipoca até Londres.

O ridículo é que eu sei que na maioria dos lugares eu mal me adaptaria durante quinze dias. Que dirá a vida toda. Como lidar com a minha enlouquecida necessidade de programas culturais numa cidade de mil habitantes? Como lidar com o meu ódio a trânsito e a multidões em uma megalópole? (SP está durando bastantinho, até)

Mas, ingenuamente, frivolamente, eu me apaixono por toda nova cidade. Chego a visualizar o "casamento": onde eu moraria, com o que trabalharia (porque jornalista não, né), como seria minha rotina, em uma estratégia totalmente incoerente que vai de ermitã a ativista social, passando por dona de hostel, guia turística e massagista. OU seja. 29 anos e ainda estamos trabalhando com a falta de pensamentos adultos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

um post sério

Eu quase nunca falo sério. Mas vamos lá.

Todo mundo falando sobre bullying. Aí vão criar uma lei sobre bullying. E o que vai acontecer? O bullying vai aumentar. Anota aí: uma hora dessas vão anunciar que aumentou o bullying depois da lei.

Sempre acontece isso. Provavelmente aconteceu com a Lei Maria da Penha, com o racismo e vai acontecer com a homofobia também. Mas o que não explicam é o que está por trás dos números.

Existe uma coisa chamada subnotificação. Que é assim: o seu marido te bate, você não denuncia. A violência acontece mas não é notificada. A partir do momento que tem a lei, que ela é divulgada, que você vê que funciona, vê homens sendo punidos, as pessoas se sentem mais dispostas a levar o caso adiante. E aí aumentam as notificações. Mas os casos, eles continuam. Ou até caem, a médio prazo.

Ou seja, é bem estúpido tratar dados como se eles fossem coisas isoladas. É ruim pegar um número e fazer um auê em cima, sem tentar saber o que está por trás deles. Os números são terríveis - eles podem ser manipulados de vários jeitos.

É sempre bom desconfiar, daí.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

o meu amigo de cartas

Eu tinha um amigo de cartas na adolescência. Era assim: a gente nem era amigo de verdade. Quando estávamos juntos, não tínhamos assunto - ficávamos meio constrangidos, meio calados, e era isso. Mas aí eu me mudei de cidade, a contragosto, e começamos a trocar correspondência. Ele escrevia poesia, eu escrevia reflexões e filosofias sobre a vida. Muito adulto, por sinal (COF). Isso durou pouco, meses, até que a adolescência chegasse de verdade e eu passasse a me dedicar à esbórnia.

Hoje eu pensei nele e em como eu sinto falta de ter um amigo de cartas. Porque não faz mais sentido você escrever sobre como está sendo a sua vida pras pessoas, tem o email, o twitter, tá barato ligar de tim pra tim, né, então carta virou um negócio meio inútil, a não ser que seja pra filosofar. Aí sim seria legal.

Bom, voltando ao meu amigo. Ele era um cara estranho. Não o tipo de estranho que sofresse bullying. Ele era esquisito mas tinha o cabelo comprido e entendia muito de rock. E escrevia poesias. Era feio, mas nada que o prejudicasse demais. Era tímido, mas isso não o impedia de conviver com as pessoas. O pai dele era dono de um pequeno armazém, ele tinha muitos irmãos, era de uma família pobre, mas não era uma coisa que destoava do resto da cidade. Era um cara legal.

Fiquei torcendo de verdade pra que ele tenha saído de lá. Porque gente como ele não sobrevive num lugar como aquele. Se tem uma coisa que pode acabar com a autenticidade e a individualidade de uma criança é crescer numa cidade pequena. Espero que ele tenha encontrado um tipo de vida que tivesse mais a ver. Aí, quem sabe, a gente poderia trocar umas cartas, falando sobre essas coisas todas. Poesias, filosofias, sei lá.

mea culpa

Eu sou uma idiota.

Não entendo essa sua timidez, mas que burra que eu sou, logo isso que é a coisa mais linda do mundo. Essa sua calma tão deliciosa e esse desejo de se preservar. Eu, logo eu, que falo demais, que me arrependo sempre de ter uma boca gigante. A rainha dos micos recrimina seu ritmo, seu jeito, seu tempo, seu momento. Burra.

E de repente eu venho falar com você, pregando todas as regras cretinas. Eu sou a enciclopédia dos conselhos babacas. Não me ouça. Eu não posso dizer o que você tem que fazer porque eu não sei absolutamente nada. Nem sobre mim, nem sobre a vida, nem sobre porra nenhuma.

Eu nem sei como fazer isso, porque afinal sou tão correta e sempre tenho conselhos e teorias, mas esse texto é um pedido de desculpas. Pela minha arrogância, pelas minhas certezas. Por demonstrar uma força falsa, que eu não tenho. Por ter construído um personagem duro e cruel, uma imagem de mulher moderna e racional. Não sou assim, te enganei o tempo todo, e (olha que ironia) agora eu te peço desculpas por ter sido assim todo o tempo. Talvez você ame exatamente isso, esse holograma de mim. Mas não é assim que eu sou, viu.

Eu sou mesmo, mesmo, mesmo, uma menina magrelinha que tinha uns olhos enormes, medo de levar bronca e vontade de ter alguém que cuidasse de mim.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

que texto merda

eu me arrependo dos textos mas não tenho coragem de apagá-los
foi o que aconteceu com o texto abaixo
não gostei, mas mantenho sua publicação para me lembrar que posso ser mais idiota do que pensava e menos genial quanto gostaria de acreditar

PS: sou eu ou todo mundo está discutindo a causa mortis do knut?

quando as peças não encaixam

você começa a pensar o porquê das coisas.

e se questionar seriamente se não valeria a pena ser só alguém que não fez uma universidade, não fez estágios, não se mudou pra uma cidade com oportunidades melhores, não trabalhou, não teve aumentos e tapinhas nas costas, não batalhou terrivelmente por todas essas oportunidades.

e se de repente fosse bem melhor ter encostado em alguém: um pai, uma mãe, uma avó, e ser apenas aquela prima/irmã/cunhada/whatever que todo mundo tem na família e que é meio fracassada e que todo mundo olha, balança a cabeça e fala: "coitada".

uma pessoa com algum pequeno problema de drogas e alcoolismo que não impeça de ter uma vida social bem mais legal que a minha e que faça academia, massagens e compre roupas numa loja bacana sempre às custas de alguém, sempre tem alguém disposto.

assim, não dá pra entender.

enquanto você dá umas moedas pra um mendigo e lembra que aquelas eram as últimas moedas que te mantinham no azul, você simplesmente cai na real e pensa porque raios mesmo você tinha tanto medo de virar um mendigo. Porque né, sempre tem alguém disposto.