sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Uma vida feliz. Que droga.

Olha que droga. Eu tão feliz conversando com pessoas e fazendo perguntas e ocupando tão bem o meu tempo sem dar um mínimo espaço pra melancolia. Reclamando sempre, mas reclamar é tão parte de tudo. De ser inconformado e querer a atenção das pessoas e tudo o mais. Sim, sou um ser humano complicado.

Mas o fato é que de repente você vê um nome. E volta toda a tristeza absurda de novo, e você que tinha certeza que todas as suas angústias eram culpa das escolhas erradas que fez. E não eram. (Você conseguiu voltar atrás nas escolhas e descobriu – ó vida, ó azar – que as angústias estão intocadas e gritam de fome todo dia).

Só porque você viu um nome e descobriu que podia ter tido outra vida que não a sua, e que provavelmente seria uma vida rasa e com angústias piores. E com toda a sua gula por angústias você não resiste à possibilidade de ter sido alguém mais infeliz. E ter tido uma vida que parecesse um roteiro de filme de arte belga. Mas que pena né, você é feliz e etc.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

eu sou magra

Ser magra é o sonho de 99% das mulheres. E o meu também, né, um dos sonhos.
O fato é que eu já sou magra. Não sou uma modelo, linda e sarada, mas sou magra. E isso me coloca numa categoria à parte. Não que eu seja odiada. Eu sou vigiada. Sou monitorada o tempo todo, acredite se quiser. Tem coisas que não posso falar, tem roupas que só uso porque sou magra, as pessoas me classificm como "magra" e tudo gira em torno disso.

É um saco.

Funciona assim:
"Vívian, vamos almoçar?"
"Ah, eu vou daqui a pouco, ainda estou sem fome."
"SEM FOME? Aí, tá vendo, é por isso que ela é magra"

"Vívian, vamos almoçar?"
"Ah, obrigada, eu já fui porque fiquei com fome cedo"
"Aí, ela come cedo, por isso é magra"

"O que você quer comer hoje, Vívian?"
"Hambúrguer"
"Ah, vc pode, é magra, não entendo como você consegue"

"O que você quer comer hoje, Vívian?"
"Salada"
"Ai, que ótimo, por isso você é magra, fica bem comendo só uma saladinha"

OU

"Estou louca pela calça/saia/vestido XPTO"
"Isso porque vc é magra, pode usar"

É um rótulo. Dá raiva, porque além de magra, eu sou pisciana, sou jornalista, sou chata, tenho TPM, sou instável, carente, boba, preocupada, pós-graduanda, planejo um casamento, reebo seguro-desemprego e quero clarear os dentes.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Ela chegou de novo

Aquela tristezinha. Companheira de sempre.
Não sei se ela vem da incerteza. Talvez. Mas é um incerteza boa, de não ter a menor ideia do que vai acontecer e ao mesmo tempo, olha que legal, a incerteza que eu sempre amei.

Sinto falta dos amigos, das coisas que eu não vivi, arrependimento de não ter feito mais coisas. E ao mesmo tempo alegria por twer topado várias.

Que droga, quando essa dor vem assim é tão bom. E eu sinto falta de muita gente. Gente que nunca mais.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

o problema era o cliente

Eu demorei tanto pra acreditar, e agora faz um mês e eu já tô me acostumando. Meio com raiva de ter me acostumado já, por mim quela sensção de incredulidade duraria pra sempre. Do mesmo jeito que ainda é um mistério o fato de ter conseguido, depois de ter esperado tanto, e ter conseguido assim, sem pedir, sem forçar. Aconteceu.

Os dedos doem de tanto digitar, o pescoço também de ficar meio torto entrevistando. Mas a alma tá limpíssima de não ter mais cliente. E olha que engraçado, só depois de sair é que eu soube que o que me incomodou nos últimos 5 anos foi o fato de ter cliente. Nada contra eles, o problema era o fato de saber. E de ter de me "portar". E de não poder falar ou fazer algo porque, afinal, o que o "cliente vai pensar"?

Eu não sabia, mas o problema era só esse.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nem tadinha nem bad girl

Os estalos. Muitas vezes eles acontecem no chuveiro, mais do que eu gostaria. Mas, como diria um amigo, ideias acontecem no chuveiro e é preciso respeitá-las.

Outros, muitos estalos, acontecem depois de uma conversa com alguém. Ou depois de lembrar de uma pessoa e pensar um pouco nela. Mas sempre depois, bem depois. Os estalos são lentos e só me provam que eu não sou esperta em relação às pessoas. Sou lenta e não percebo o óbvio logo de cara.

Tudo isso pra contar o último estalo. Foi assim, um amigo me contou que tava namorando, disse "Tadinha, eu não estou apaixonado mas gosto dela". Tadinha. Eu tenho mania de chamar as pessoa de "tadinho", mas sei que não é legal. Eu não gostaria de ser chamada de tadinha, disse a ele. Ele também não. Ele prefere ser bad boy. E aí eu disse que não era bad girl também. Nem tadinha nem bad girl.

E aí depois, bem depois, eu fiquei pensando sobre o MEDO que a gente tem de ser loser, de ser tadinho, de ser digno de pena. Um orgulho monstruoso que nos faz querer, preferir ser maus a ser coitados. E toda a carga simbólica positiva que vem junto com a expressão bad boy. É pra se pensar, né. "prefiro foder os outro do que merecer algum tipo de pena". E o pior é que eu compactuo um pouco com esse pensamento. E sei que muita gente também.


* O tadinho também tem uma carga, né. Uma cultura judaico-cristã do sofrimento e da culpa. Tem quem curta, também. Que bom, né, rola uma diversidade.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Aprendendo com histórias

E aí que eu tenho essa conhecida.
Ela é uma fofa, todo mundo gosta dela. Pesa o fato dela ter vivido um relacionamento triste e frustrado, mas ela é legal mesmo.

E aí que ela tá cometendo os mesmos erros de antes. Ela comete publicamente. E o novo relacionamento dela tá se transformando no antigo. Eu sei que ela não consegue fazer diferente. Sei também que eu mesma me encaixo no perfil dela, e morro de medo de estar errando nas mesmas coisas.

E olha que incrível, talvez uma amiga minha esteja pensando o mesmo sobre mim. E preocupada sobre eu estar cometendo os mesmos erros.

Ou talvez não exist essa amiga e eu só estou inventando tudo.

Quem disse que é tão fácil?

e ele independeu mesmo

Mesmo com essa minha necessidade de controlar tudo (será que é medo?).
O mundo espertamente me enganou e independeu de mim. Mostrou que não vale a pena desistir de algo que já tava lá, pronto pra ser meu. E que, independente do que eu decida, quem dá as cartas mesmo é ele.

E eu, que pedi tanto por mudanças incríveis e inesperadas, fui incrivelmente surpreendida. Quem diria, a planejadora ansiosa e mandona foi pega de jeito.

E a partir de agora eu prometo tentar ser menos assim. Mas só tentar porque, pelo que me lembre, desde os seis anos eu fico assim. Maquinando.